Grupo econômico não transforma várias empresas em uma única empresa

Criar diferentes sociedades dentro de um mesmo grupo é uma prática absolutamente comum no ambiente empresarial.

Uma sociedade pode concentrar imóveis. Outra pode realizar a atividade industrial. Uma terceira pode atender determinado mercado ou receber um investidor específico.

Existem inúmeras razões econômicas legítimas para que um empresário opere por meio de diferentes pessoas jurídicas.

O simples fato de essas empresas possuírem sócios em comum, entretanto, não significa que todas devam ser automaticamente tratadas como uma única organização.

A personalidade jurídica possui uma função

Quando uma sociedade é regularmente constituída, ela possui seus próprios direitos, obrigações, contratos e patrimônio.

Essa separação permite que empresários organizem diferentes operações conforme suas características e riscos.

Naturalmente, existem situações em que a legislação admite responsabilizações específicas.

Fraude, abuso ou confusão patrimonial podem produzir consequências importantes.

Mas essas situações não deveriam transformar a exceção em regra.

Pertencer ao mesmo grupo econômico não deveria, por si só, eliminar a autonomia jurídica de cada sociedade.

O próprio empresário precisa respeitar essa separação

Existe, porém, um ponto essencial.

Não adianta exigir que terceiros reconheçam a separação das empresas se internamente o grupo ignora essa divisão.

Imagine três empresas diferentes utilizando indiscriminadamente a mesma conta bancária.

Uma paga funcionários da outra.

A segunda compra um veículo que fica registrado na terceira.

Os sócios realizam retiradas sem qualquer documentação.

Nesse cenário, a organização formal começa a se distanciar da realidade.

Operações entre empresas do grupo precisam ser documentadas

Empréstimos entre sociedades, compartilhamento de despesas, locação de ativos e prestação de serviços intragrupo podem ser perfeitamente legítimos.

Mas precisam de estrutura.

Contratos, critérios de rateio, registros contábeis e documentos fiscais são importantes para demonstrar a verdadeira natureza dessas operações.

Estrutura societária também é gestão de risco

A criação de sociedades distintas pode facilitar entrada de investidores, venda futura de uma unidade de negócio ou separação de atividades.

Também pode auxiliar na sucessão empresarial e na governança.

Mas uma estrutura sofisticada exige controles igualmente sofisticados.

Quanto maior o grupo empresarial, maior a necessidade de demonstrar que cada pessoa jurídica possui uma função econômica real e funciona de acordo com sua estrutura formal.

Respeitar a autonomia das empresas começa dentro do próprio grupo.

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