Split payment: a Reforma Tributária pode mudar o capital de giro das empresas

Grande parte das discussões sobre a Reforma Tributária gira em torno de alíquotas, créditos e novas obrigações.

Para o empresário, entretanto, existe outro ponto especialmente importante: o fluxo de caixa.

O chamado split payment promete alterar a forma como parte dos tributos sobre o consumo será recolhida.

E essa mudança pode ter consequências diretas sobre o capital de giro das empresas.

O dinheiro poderá deixar de transitar da mesma forma

No modelo tradicional, a empresa recebe o pagamento integral de determinada operação e posteriormente realiza o recolhimento dos tributos nos respectivos vencimentos.

Durante algum tempo, portanto, esses recursos permanecem dentro do fluxo financeiro da companhia.

O split payment modifica essa dinâmica.

A parcela tributária poderá ser segregada dentro do próprio fluxo de pagamento, reduzindo o período em que esses valores permanecem disponíveis no caixa.

Isso não significa que o tributo seja economicamente um recurso pertencente à empresa.

O problema está na mudança da dinâmica financeira.

Capital de giro pode precisar ser recalculado

Para empresas com grandes volumes de venda e margens estreitas, poucos dias de diferença podem representar milhões de reais.

Setores que dependem intensamente de estoque ou financiamento de curto prazo precisam prestar atenção.

Uma empresa pode estar acostumada a uma determinada necessidade de capital de giro.

Quando o fluxo tributário muda, essa conta pode deixar de funcionar.

Reforma Tributária exige participação do financeiro

Não basta entregar a adequação exclusivamente à contabilidade.

A diretoria financeira precisa realizar simulações.

Quanto ficará disponível no caixa?

Como ficam prazos de fornecedores e clientes?

Será necessário aumentar linhas de crédito?

A precificação continua adequada?

Essas perguntas deveriam começar a ser feitas antes da implantação completa do novo modelo.

Contratos também devem ser analisados

Operações de longo prazo podem atravessar diferentes fases da Reforma Tributária.

Dependendo do contrato, uma alteração significativa no fluxo tributário pode afetar economicamente a operação.

Por isso, cláusulas de preço, reajuste e reequilíbrio merecem revisão.

A Reforma Tributária não mudará apenas quanto e como as empresas recolhem impostos. Em algumas situações, ela poderá mudar o momento em que o dinheiro deixa o caixa.

E para qualquer empresário, tempo e caixa estão diretamente relacionados.

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